And life goes on?

Já nem peço desculpas pelo sumiço, pois acredito que você já sabe a essa altura do campeonato de que eu só escrevo aqui quando sinto vontade, né? Escrever algo por obrigação não é meu forte, embora eu ache ruim ficar afastada por um tempo tão longo…

Nesse meio tempo, eu já completei um ano por essas bandas. Já vi todas as estações e posso escolher a favorita. Já adquiri o hábito de usar creminho pros olhos para esconder o cansaço (e as rugas) e também já comprei passagens para passar férias no Brasil. Ou seja, tudo segue seu caminho.

Após todo esse período, posso dizer que o pior já passou. Houve momentos de crise em que me perguntei se estava fazendo a coisa certa largando a minha vida confortável na terra natal, mas hoje eu vejo que fiz boas escolhas. Tudo caminha à passos pequenos, mas caminha para frente, o que é ótimo. O idioma melhorou muito, mas falta um pedaço de chão para ter uma fluência melhor.

Mais um aniversário se foi, mais um ano chegou e eu posso dizer que definitivamente eu sou uma pessoa muito diferente da que chegou aqui com medo de tudo e de todos. Eu sobrevivi ao caos e estou aqui para contar história.

Feliz? Sim.
Satisfeita? Ainda não, pois a estrada é longa…

E vida que segue.

Sentindo Bem
Ouvindo Nada

Vejo flores em você

Tulipas no jardim!
Quem diria?

Tulipas no jardim

Tulipas no jardim 2

Sentindo Bem
Ouvindo Algo

O cansaço continua na cara

Entramos no mês de maio e o cansaço continua, mas estou procurando não me importar muito com isso na medida do possível. O sol está voltando a ser mais constante e a primavera já mostra sinais verdes pela cidade, o que dá uma sensação muito boa na gente. Estava com saudades.

Falando em saudades, a essa altura do campeonato vai fazer 10 meses que estou por essas bandas. O tempo voa. Cada dia que passa, me acostumo mais com a nova rotina, pois por incrível que pareça as novidades continuam aparecendo. Acredito que após um ano, a vida se estabiliza mais. Espero.

De fato, estou precisando é de férias e de viajar para espairecer a cabeça.

Sentindo Encore fatigué
Ouvindo Algo no rádio

Quando o cansaço está na cara…

Não sei se é a quantidade de trabalho que venho fazendo, se são as tarefas de casa, se é o clima ou se é tudo ao mesmo tempo, mas a verdade é que tenho me sentido muito cansada ultimamente. É um sono que não passa por mais que eu durma… Até aí, nenhuma novidade para mim, mas a verdade é que nos últimos dois dias as pessoas no trabalho tem me perguntado se eu estou bem, pois estou com um ar cansado… E se eu parar para pensar, ultimamente meus amigos têm dito a mesma coisa… Então, é sinal de que o cansaço está estampado na minha cara.

O próximo feriado é o da semana santa, a data que se aproxima mais de uma mini-férias, e eu já me conformei em perder um dia para o curso que farei, afinal o curso foi escolha minha. No fundo, só vou fazer o curso pra não perder o dinheiro que o governo disponibiliza para mim e não porque eu estou empolgadíssima. Claro, me ajudará no meu trabalho, mas a verdade é que há anos eu não tenho paciência para cursos na área de desenvolvimento de sistemas. Cansei, sabe?

Então, a vontade é de ficar em casa à toa. Somente. Talvez uma viagenzinha para um lugar bacana, mas isso não cabe no orçamento no momento. Só me resta curtir minha casa um pouco.

Estou achando que vou comprar uma daquelas máscaras faciais. Diz a lenda que algumas delas amenizam o « efeito fadiga » da cara.
Será?
Não custa tentar, né?

Sentindo Preciso dizer?
Ouvindo Em suas mãos - Sorriso Maroto

Coisas do mundo estrangeiro

Se eu te contar que vou fazer um curso daqui 11 dias e que o último dia de aula é em plena sexta-feira santa, você acredita??

Que povo estranho é esse que não curte feriados, minha gente?

Acho que vim parar em Marte…

Mim, Chita. Tu, Tarzan

Ganhei um elogio ontem pelo meu francês escrito.
Talvez as coisas não estejam tão feias como eu penso.

Ou então as pessoas são gentis demais.

Sentindo Um pouco orgulhosa de mim mesma
Ouvindo Wait it out - Imogen Heap

Eles falam 1kg e eu só entendo 500g

Fingir que entendo tudo o que me falam virou rotina para mim todos os dias. Sou tão boa atriz que eles nem desconfiam que meu vocabulário é pior do que eles imaginam, mas te digo, não é fácil manter o teatro, pois preciso rir sem entender a piada e conversar sem ter certeza de que aquilo é o que estão falando MESMO.

Geralmente as conversas rolam mais na hora do almoço, com os assuntos mais cotidianos possíveis. Sempre há perguntas sobre o Brasil e comparações com o Québec e devo confessar que o papo é sempre muito animado e divertido, mas eles falam 1kg e eu só absorvo 500g. Se você se perguntar o que raios isso significa, eu vou te dizer que eu entendo o contexto, sei do que estão falando (UFA!), mas perco tantos detalhes que é constrangedor.

É comum parar a conversa para repetir algo para mim ou responder alguma pergunta minha sobre o significado de algo, mas cá entre nós, não vou interromper uma conversa de 30 em 30 segundos para perguntar algo que não entendi o significado. Se eu fizer isso, daqui a pouco ninguém quer mais conversar comigo.

Dia desses minha chefe me pegou no flagra quando conversava sobre um exame de sangue e diabetes. Eu entendi do que se tratava, mas estava longe de entender qual era o problema de fato. Do nada, ela virou e disse “você consegue entender tudo o que falamos?” Putz! “Infelizmente, não, mas entendo o contexto geral”, eu respondi. Ela riu e começou a conversar como se falasse com uma criança. É constrangedor, minha gente!

Às vezes, eu me sinto completamente perdida no assunto, mas aí não tem como disfarçar a cara e eu sou sincera. Se é algo realmente importante, como algo relacionado às minhas tarefas no trabalho, não tem jeito, a pessoa tem que repetir e eu também até que tudo esteja completamente claro. Nem sempre conseguimos, mas eu faço o que posso e as pessoas procuram ser compreensivas. Quero ver até quando rs rs rs.

E eu, que adoro jogar conversa fora no trabalho, limito-me a falar coisas básicas no meu idioma indígena. Sinto saudades do meu bom e velho português, das piadinhas, do falar sem pensar muito.

Quem disse que seria fácil?

Sentindo Cansada, mas bem
Ouvindo It stops today - Colbie Caillat

Enquanto a primavera não vem…

Jamais tinha vivido numa cidade onde as estações do ano são definidas, então estou vivendo sensações inéditas ultimamente. Já tinha ouvido falar das folhas que amarelavam no outono e que caiam pro inverno, mas viver o fenômeno é algo bonito de se ver. E o tempo passou, a neve chegou e está cobrindo a paisagem desde dezembro… É uma paisagem realmente muito bonita e muito diferente do que eu estava acostumada… Porém, depois de alguns meses, estou vivendo uma crise de abstinência de verde.

É muito estranho olhar as árvores murchas, meio que sem vida, se preparando para renascer na primavera. Apesar da estranheza e da saudade que sinto de ver o verde, vai crescendo lá no fundo uma ansiedade pela vida que brota da natureza, se renovando após um longo inverno.

A lição que fica em minha mente é que tudo, absolutamente tudo, passa no seu momento certo. Como as folhas que caem para dar lugar às novas. Como a tempestade que cai para dar lugar ao sol no outro dia. Tudo é tão perfeito que fica difícil não acreditar que exista um Criador por trás de cada ação… Da mesma forma, todo problema tem uma solução, não importa qual ela seja…

Me sinto mais esperançosa ultimamente, capaz de me renovar a cada dia. É uma sensação reconfortante, embora eu confesse que muitas vezes ainda seja pega pelo desânimo diante de certas coisas…

Mas a vida continua….
E que venha a primavera pela qual eu anseio tanto.

Sentindo Com saudades do verde
Ouvindo Entre l’ombre et la lumière - Boom Desjardins et Annie Villeneuve

Quem é vivo sempre aparece

Sim, estou viva. E sinceramente não sei se ainda existe alguém que lê este blog e que se importa com isso… Foi a ausência mais longa que me permiti por aqui, jamais pensei que abandonaria o blog por tanto tempo. Pensei em deletá-lo e perdi o domínio, mas no fim das contas, consegui recuperá-lo.

Acredita se eu disser que senti saudades?
Não escrevi antes porque estava incapacitada de verbalizar o quanto eu vivi nesses últimos meses. Foram muitas emoções, muitas delas não muito agradáveis como a perda do meu pai, mas a verdade é que sobrevivi à correnteza e somente agora estou conseguindo chegar à superfície para respirar.

Voltei ao Canadá, comecei a estudar a língua de novo, comecei a trabalhar. Parei o curso de francês, suspendi leituras e tudo o que eu gostava de fazer. Precisei de tempo para mim e ainda preciso de muito tempo…

Luto atualmente para me adaptar à uma língua que não me pertence, à uma cultura diferente, à um frio desconhecido e cruel. Luto contra a saudade de tudo e de todos, inclusive de mim mesma às vezes. De vez em quando, acho que me perdi em algum montinho de neve, mas me encontrando aos poucos meio ao desconhecido.

A vida continua cheia de batalhas e desafios, mas eu sou brasileira e não desisto nunca rs rs…

Enfim, peço desculpas pelo sumiço, pelos e-mails que não respondi e sequer li.

Voltemos à programação normal.
Estou de volta escrevendo para ninguém além de mim mesma, como sempre foi.

Sentindo Caminhando lentamente
Ouvindo Flightless bird, American mouth – Iron & Wine – Twilight OST

Quando a vida te pega de surpresa…

Eu tinha muitas novidades para contar. Eu tinha muitos sentimentos que queria compartilhar, muitas coisas que eu queria que você soubesse. Eu queria falar das despedidas que vivi, da mudança que fiz, do país que encontrei quando desci do avião, das dificuldades com a nova língua, das compras para a nova casa. Queria que você soubesse dos micos que paguei… Mas, o destino quis que eu viesse aqui falar de um assunto muito triste e que me deixou sem chão…

Essa semana eu perdi meu pai.

Estava a quilômetros de distância quando recebi a mensagem. O mundo foi ao chão… Foi tudo tão de repente… Ele parecia tão saudável… Mas um infarto interrompeu sua vida aos 52 anos num momento mais feliz de sua jornada. Não pensei em outra coisa a não ser estar aqui e por isso peguei o primeiro avião que havia. Cheguei a tempo de ver as últimas homenagens e acompanhar o enterro. Foram as horas mais intermináveis que vivi…

Meu pai era um exemplo de vida. Alguém de veio completamente de baixo e conseguiu ser alguém. Foi um pai extremamente carinhoso e presente da maneira dele. Nunca em nenhum momento deixou de dizer que me amava e que tinha orgulho de mim. Estava muito feliz com a decisão que eu havia tomado e me apoiou demais. Me deu recursos para emocionais e financeiros para enfrentar o medo e ir atrás do meu sonho. Me ensinou sobre tudo, me deu conselhos valiosos que com certeza transmitirei aos meus filhos, se eu os tiver.

Ele sim sabia aproveitar a vida e os momentos. Não se preocupava com bobagens e era muito prático. Também muito organizado, mas essa qualidade eu não herdei, infelizmente.

Sentirei saudades imensas do seu abraço, da sua voz, do seu otimismo, das suas brincadeiras, da sua seriedade. Sentirei saudades imensas…

A dor é enorme no momento, mas sei que o tempo é o melhor remédio… A dor dará lugar para a saudade dos bons momentos. Esteja ele onde estiver, sei que estará bem e que olhará por mim…

Pai, eu te amo e jamais te esquecerei… Obrigada por tudo…